quarta-feira, 3 de julho de 2024

"Le retour"

 Quantos anos se passaram desde a ultima vez que escrevi alguma coisa. Mudei de pais duas vezes, casei, aprendi dois idiomas (ou quase), fiz alguns amigos, perdi outros tantos, quanto riso, quantas vezes chorei. Chorei de saudade, de amor, de tristeza, de doença. Quantas reflexões fiz sobre a minha vida, sobre o rumo que as coisas levaram. Em alguns anos descobri que meu maior sonho de infância não iria jamais se tornar realidade. Tive de me reinventar, voltar a sonhar, mal sou capaz de contar quantas vezes eu tive que me reerguer nesses últimos anos.

Lidar com a saudade diária de uma vida que não existe mais, a especulação constante do que poderia ter sido se eu tivesse tomado um rumo diferente, a culpa de não poder acompanhar de perto a quem eu amo, de não poder estar tão presente quanto eu gostaria, de tentar a qualquer custo preencher um vazio que me acompanha desde os primórdios.

As vezes até gostaria de ter mais tempo para continuar escrevendo, mas vida mudou tanto, em meio a tantas faturas para pagar, tantas horas dedicadas ao emprego na tentativa de construir um futuro melhor e menos corrido que me pego constantemente questionando se de fato estou fazendo a coisa certa.

domingo, 26 de novembro de 2017

E de repente quando abri os meus olhos 10 anos haviam se passado desde o dia mais triste da minha vida. Foi como reviver cada instante da sua perda novamente. Foi como te dizer mais um adeus, foram lágrimas de quem nunca verá seu filho nos braços da avó, de quem não teve sua mãe presente na sua formatura, ou no seu primeiro dia de trabalho. Lágrimas de quem nunca mais haverá de abraçar a sua mãe e pedir conselhos sobre um amor, sobre uma decisão, ou sobre a vida. Lágrimas de quem não terá sua mãe em seu casamento ou no nascimento do primeiro filho, ou de quem não terá para quem ligar para pedir aquela deliciosa receita de pavê que só ela sabia fazer. São enfim lágrimas de quem perdeu tudo que tinha de mais valioso na vida em uma solitária manhã de primavera.

sábado, 14 de outubro de 2017

Hoje eu estava chorando porque queria comer uma feijoada. Mas talvez esse choro não fosse só sobre a tal feijoada que eu tanto sinto falta. Talvez fosse saudade do sol, saudade de meu pai, dos meus amigos, do meu carro (meu ex carro eu quis dizer, rs). Talvez esse choro seja porque aqui as sensações e sentimentos tomam uma dimensão imensurável. Talvez seja saudade de passear no shopping com as amigas ou de entrar no carro e sair dirigindo antes mesmo de definir um destino. Saudade de ir na casa de um amigo bater papo, filar a bóia, acabar ficando pra dormir e só voltar pra casa no dia seguinte (ou dois dias depois, rs).
Saudade de quando o peso que eu carregava nas costas parecia ser menor, da impressão de que as responsabilidades não eram tantas, até mesmo de pedir um trocado ao pai para colocar crédito no telefone ou comprar um pacote de biscoito. Saudade de fazer brigadeiro e comer todo sozinha enquanto desfrutava das séries favoritas ou de ir pra balada com as amigas e decidir que todo mundo vai dormir lá em casa e pronto. Talvez seja um choro de libertação, causado por tantas saudades que jamais poderiam ser expressadas aqui ou em qualquer outro lugar. Talvez seja saudade do tempo em que eu não tinha que comprar minha própria comida ou fazer pesquisas de preço pra ver o que dá pra comprar com o salário que recebi no fim do mês. Talvez seja eu ganhando maturidade, aprendendo a dar valor ao que eu não dava antes, aprendendo a sorrir mesmo diante das dificuldades, superando cada obstáculo que me foi imposto pouco a pouco e tentando me tornar uma pessoa melhor a cada dia que passa.
Talvez esse choro seja tudo isso e mais um pouco da experiência que tem sido viver distante de tudo que me soa familiar. Ou talvez esse choro seja mesmo só a vontade de comer essa bendita feijoada!

segunda-feira, 12 de junho de 2017

Depois de tanto tempo e inúmeras mudanças aqui estou! Morando em outro país, experimentando a sensação única de estar distante de tudo aquilo que um dia me fez sentir em casa. Então, fácil não é e nunca será, mas posso assegurar-lhe que é uma experiência ímpar na vida de qualquer pessoa que tenha peito para enfrentar esse desafio, Há aqueles dias em que eu só tenho vontade de chorar e de ter um pouco de colo daqueles que amo e confio, e há aqueles dias em que mal consigo tirar o sorriso do rosto por estar vivenciando tantas situações inusitadas... Permita-se fazer algo que nunca houvera experimentado antes pelo menos a cada 6 meses e verá quão importante isso vai passar a ser para seu crescimento pessoal e profissional.

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Triste é quando você percebe que seus amigos só são seus amigos quando você está bem, feliz. Triste é quando você descobre que a sua companhia só serve para eles se você estiver 100%, se nenhum mal te acomete, seja ele qual for. Triste mesmo é olhar para os lados e ver que os seus amigos te viraram as costas justamente quando você mais precisou deles... Para a minha sorte, certa feita li uma frase do do Dalai Lama que dizia assim "Quando você perder, não perca a lição"! É nessa frase que me apoio sempre que alguma coisa dá errado na minha vida, sempre que me decepciono com alguém ou que algo não sai como esperado. É quando você está no chão sozinha e percebe que ninguém está ali pra te ajudar a levantar que você precisa reunir forças para fazê-lo.

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Just feel

Intensa! Não há no mundo, palavra que me defina melhor do que essa! Medo de sofrer a gente tem, mas de que adianta viver uma vida morna, de meios sentimentos preocupada em preservar um coração que já provou que amar profundamente é o que sabe fazer de melhor. Sim, eu gosto de ser assim, de amar desmedidamente, de sentir excessivamente, nunca é fácil, mas quem disse que pra ser bom precisa ser fácil afinal?
Gosto de sentir meu coração palpitando fora do compasso, de sentir a boca seca, as pernas trêmulas e as famosas borboletas no estômago; faz com que eu me sinta cada vez mais viva, cada vez mais EU. Permita-se ser você de vez em quando, esqueça de tudo por um instante, ignore o pensamento alheio e apenas sinta, não deixe o medo definir quem você é e o que você faz. Entregue-se aos mais variados sentimentos e se deixe viver, aproveite o prazer que as pequenas coisas te proporcionam.   Enjoy!

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Não gosto de quem promete sem intenção de cumprir, de quem diz que vai da boca pra fora, de quem profere falsas palavras, prega discursos infundados, sermões falsificados. Faz-se desnecessário, quando de ti, nada mais aspirava além da verdade, autenticidade em sentimentos e atitudes. Não te cobro nada que não possas me entregar; agora cabe a ti decidir entre viver em meio a palavras e sentimentos ilegítimos e fantasiosos, capazes de melindrar, ou abrir-se em alma, permitindo sentir em teu âmago o mais autêntico sabor da honradez e da pureza de assentir vivenciar cada sentimento de forma primitiva, singela, virtuosa.