Hoje eu estava chorando porque queria comer uma feijoada. Mas talvez esse choro não fosse só sobre a tal feijoada que eu tanto sinto falta. Talvez fosse saudade do sol, saudade de meu pai, dos meus amigos, do meu carro (meu ex carro eu quis dizer, rs). Talvez esse choro seja porque aqui as sensações e sentimentos tomam uma dimensão imensurável. Talvez seja saudade de passear no shopping com as amigas ou de entrar no carro e sair dirigindo antes mesmo de definir um destino. Saudade de ir na casa de um amigo bater papo, filar a bóia, acabar ficando pra dormir e só voltar pra casa no dia seguinte (ou dois dias depois, rs).
Saudade de quando o peso que eu carregava nas costas parecia ser menor, da impressão de que as responsabilidades não eram tantas, até mesmo de pedir um trocado ao pai para colocar crédito no telefone ou comprar um pacote de biscoito. Saudade de fazer brigadeiro e comer todo sozinha enquanto desfrutava das séries favoritas ou de ir pra balada com as amigas e decidir que todo mundo vai dormir lá em casa e pronto. Talvez seja um choro de libertação, causado por tantas saudades que jamais poderiam ser expressadas aqui ou em qualquer outro lugar. Talvez seja saudade do tempo em que eu não tinha que comprar minha própria comida ou fazer pesquisas de preço pra ver o que dá pra comprar com o salário que recebi no fim do mês. Talvez seja eu ganhando maturidade, aprendendo a dar valor ao que eu não dava antes, aprendendo a sorrir mesmo diante das dificuldades, superando cada obstáculo que me foi imposto pouco a pouco e tentando me tornar uma pessoa melhor a cada dia que passa.
Talvez esse choro seja tudo isso e mais um pouco da experiência que tem sido viver distante de tudo que me soa familiar. Ou talvez esse choro seja mesmo só a vontade de comer essa bendita feijoada!